«Tenho o direito de alugar meu estúdio por semana, e o que devo declarar?» É a pergunta que mais me fazem quando um proprietário pensa em começar. As regras do aluguel de curta duração na Martinica se jogam em dois níveis: regras nacionais válidas em toda a ilha, e particularidades locais que mudam de um município para outro. Depois de anos montando processos de Fort-de-France a Sainte-Anne, aqui vai um panorama concreto para alugar dentro da lei e dormir tranquilo.
Entender o quadro nacional que se aplica a toda a Martinica
A Martinica é um departamento e região ultramarina francesa (DROM): o Código do Turismo e o Código da Construção e da Habitação se aplicam ali exatamente como na França metropolitana. Antes de olhar as particularidades do seu município, há três noções a dominar.
O imóvel mobiliado de turismo e o limite dos 120 dias
Um imóvel mobiliado de turismo é alugado a uma clientela de passagem que não estabelece ali seu domicílio, por no máximo 90 dias consecutivos por mesmo locatário. Se for sua residência principal (ocupada pelo menos 8 meses por ano), você só pode alugá-la por curta duração 120 dias por ano. Além disso, ou para uma segunda residência, as regras ficam mais rígidas (mudança de uso detalhada mais abaixo).
A declaração na prefeitura, a base obrigatória
Seja qual for o município, todo aluguel de imóvel mobiliado de turismo deve ser declarado na prefeitura. Para uma segunda residência, pelo formulário Cerfa n.º 14004; nos municípios que instauraram o registro, por uma declaração eletrônica que gera um número de registro de 13 dígitos. Esse número deve constar nos seus anúncios do Airbnb ou Booking: sem ele, o anúncio está em infração e a plataforma pode retirá-lo.
A mudança de uso e a regra de compensação
É o ponto mais técnico das regras do Airbnb na Martinica. Transformar de forma habitual um imóvel residencial em mobiliado turístico constitui uma mudança de uso, sujeita a autorização do prefeito nos municípios que assim decidiram. Alguns chegam a impor uma compensação: recolocar no mercado uma superfície equivalente de habitação em outro lugar. Esse mecanismo, pensado para proteger a moradia dos residentes, por enquanto só diz respeito às zonas mais pressionadas.

Fort-de-France: o município mais regulado
Capital da ilha e cidade mais populosa (a região metropolitana concentra boa parte dos ~360.000 habitantes da Martinica), Fort-de-France é logicamente onde a mudança de uso em Fort-de-France é mais vigiada. A pressão sobre a moradia ali é real, entre população ativa, estudantes e funcionários públicos.
Concretamente, para um proprietário:
- Residência principal: aluguel de curta duração possível até 120 dias/ano, após a declaração e a obtenção do número de registro.
- Segunda residência ou investimento locativo: é aqui que a questão da cota de imóveis mobiliados em Fort-de-France e da autorização de mudança de uso se torna determinante. Informe-se antes de comprar, nunca depois.
- Exibição: número de registro obrigatório em todos os anúncios.
Meu conselho de campo: um apartamento perto do mercado coberto ou da orla aluga muito bem, para a clientela de negócios durante a semana e para os turistas no fim de semana. Mas nunca assine um compromisso de compra sem ter validado na prefeitura o regime aplicável ao seu futuro imóvel: uma moradia «ideal para Airbnb» bloqueada por uma recusa de mudança de uso é um investimento que desmorona.
Les Trois-Îlets: forte demanda, vigilância turística
Com a Pointe du Bout, suas marinas, seu campo de golfe e a vila natal de Joséphine de Beauharnais, Les Trois-Îlets é o epicentro do turismo de praia da baía de Fort-de-France. A balsa liga o centro da vila à capital em cerca de vinte minutos, o que faz dela uma base ideal para os viajantes.
Do lado das regras:
- A declaração na prefeitura é incontornável e o município acompanha de perto o crescimento dos imóveis mobiliados de turismo.
- A classificação como imóvel mobiliado de turismo (de 1 a 5 estrelas) é aqui particularmente interessante: valoriza seu anúncio e otimiza sua tributação.
- Fique de olho nas deliberações municipais: um município tão turístico pode mudar suas regras, sobretudo sobre as segundas residências.
Em Les Trois-Îlets a concorrência é forte: estar perfeitamente em regra (declaração, número de registro, idealmente classificação) torna-se um argumento de confiança que o distingue dos anúncios aproximativos.
Sainte-Anne: o balneário do Grand Sud
Sainte-Anne é a praia de Les Salines, a Pointe Marin, a Anse Caritan: uma das demandas locativas mais fortes da ilha, sobretudo na estação seca. Pequeno município, grande aposta turística.
Para alugar dentro da lei em Sainte-Anne:
- Declaração obrigatória do imóvel mobiliado de turismo na prefeitura.
- Número de registro a exibir nos anúncios se o município instaurou a declaração eletrônica.
- Atenção à sazonalidade: a alta temporada (de dezembro a abril, carnaval em fevereiro-março) concentra a maior parte das reservas.
Em Sainte-Anne, como em todo o Grand Sud, um imóvel mobiliado perto de uma praia emblemática aluga com facilidade: o rigor administrativo é o que assegura de forma duradoura essa renda.
