Se você só pudesse fazer um único passeio na natureza em Guadalupe com crianças ou avós, seria este. A Cascade aux Écrevisses é a cachoeira mais acessível de todo o arquipélago: dez minutos de caminhada por uma trilha plana e bem cuidada, uma piscina natural de água doce para nadar e a floresta tropical de Basse-Terre como pano de fundo. Volto lá várias vezes por ano, muitas vezes durante a semana antes das 9h, e aqui passo o essencial: acesso, banho, horários sem multidão e, acima de tudo, a regra de ouro diante das cheias repentinas do rio Corossol.
A Cascade aux Écrevisses em números
Os dados concretos que todo mundo me pergunta:
- Localização: Petit-Bourg, ao longo da Route de la Traversée (D23), no coração do Parque Nacional de Guadalupe
- Altura da queda: cerca de 10 metros, alimentada pelo rio Corossol
- Trilha: cerca de 300 metros de ida, plana e estabilizada, de 5 a 10 minutos de caminhada
- Dificuldade: muito fácil, possível de sandálias
- Preço: gratuito, estacionamento incluído
- Tempo de carro: de 35 a 40 minutos a partir de Pointe-à-Pitre, de 45 a 55 minutos a partir de Le Gosier ou Sainte-Anne conforme o trânsito
Essa acessibilidade faz dele o sítio natural mais movimentado da Route de la Traversée: várias centenas de visitantes por dia na alta temporada (de dezembro a abril). Daí a importância dos horários, aos quais voltaremos mais adiante.

Como chegar à cachoeira pela Route de la Traversée
O trajeto de carro
A partir de Pointe-à-Pitre ou de Grande-Terre, atravesse a ponte da Gabarre, pegue a N1 sentido Petit-Bourg e depois entre na D23, a famosa Route de la Traversée que corta Basse-Terre de leste a oeste. O estacionamento da cachoeira é sinalizado pelo Parque Nacional, cerca de 2 quilômetros antes da Maison de la Forêt vindo do leste.
O estacionamento é gratuito mas lota rápido entre 10h e 15h na estação seca. Duas dicas de campo:
- não deixe nada à vista no carro; furtos acontecem como em todos os estacionamentos de sítios naturais;
- se o estacionamento transbordar, não estacione na pista da D23: as curvas são cegas e a gendarmaria multa.
A trilha: dez minutos, de verdade
A partir do estacionamento, uma trilha larga, estabilizada e ladeada por guarda-corpos segue o rio Corossol até o pé da queda. Uma passarela de madeira a atravessa no meio do caminho, o melhor ponto de foto do local. O desnível é quase nulo: carrinhos todo-terreno e pessoas com mobilidade reduzida acompanhadas alcançam a área de observação, algo raríssimo por aqui. É a cachoeira fácil de Basse-Terre por excelência, sem equipamento nem condição física específica; para uma verdadeira caminhada, as Chutes du Carbet assumem o posto.
Banho na piscina natural: o que é preciso saber
A piscina natural ao pé da cachoeira é uma das mais populares de Guadalupe, e com razão: a água doce é fresca (de 22 a 24 °C, um verdadeiro contraste com o mar a 28 °C), o fundo é visível e a profundidade permanece razoável, cerca de 1,50 a 2 metros no centro conforme a vazão.
Minhas recomendações para um banho agradável e seguro:
- As rochas são escorregadias: sapatilhas aquáticas (de 10 a 15 € em supermercados no local) mudam a vida.
- Nunca mergulhe de cabeça das rochas nem da queda: o fundo é irregular e blocos afloram após cada cheia.
- Evite a coluna d’água quando a vazão é forte: ela pode surpreender até um bom nadador.
- Sem sabão nem xampu: estamos no coração de um Parque Nacional, e o rio Corossol ainda abriga os ouassous (camarões de água doce) que deram nome ao local.
- Evite a água doce com feridas abertas: o risco de leptospirose, baixo mas real nas Antilhas, aumenta após chuvas fortes.
O banho não tem salva-vidas. Com crianças pequenas, fique na zona rasa perto dos seixos, à esquerda ao chegar.
Evitar a multidão: os horários que mudam tudo
Este é O critério que separa uma lembrança mágica de uma experiência de piscina municipal. O que observo no local, temporada após temporada:
- Antes das 9h: você estará muitas vezes sozinho ou quase, luz suave na copa, beija-flores e pica-paus de Guadalupe ativos. O horário ideal.
- 9h30 – 11h: chegada dos primeiros grupos e excursões organizadas.
- 11h – 15h: pico de movimento, sobretudo aos domingos (piquenique das famílias guadalupenses, clima agradável mas piscina lotada) e durante as férias escolares da metrópole.
- Após as 15h30: a multidão diminui nitidamente, mas a luz cai rápido sob a copa; a noite chega por volta das 17h45 no inverno.
Na estação seca, acrescente 30% de gente em todos os horários. Durante a semana na estação chuvosa (de junho a novembro), o local recupera uma tranquilidade total, desde que você fique de olho no tempo, e esse é justamente o próximo ponto.
