Acabou de comprar uma villa em Saint-François, um apartamento com vista para o mar em Le Gosier ou uma casa crioula em Deshaies, e pretende alugá-la aos veraneantes? Antes da primeira reserva, há um passo que passa demasiadas vezes despercebido: a declaração de alojamento turístico mobiliado em Guadalupe junto da sua câmara municipal. Não se trata de uma formalidade opcional, mas de uma obrigação legal que condiciona a legalidade da sua atividade, a publicação do seu anúncio nas plataformas e, por vezes, a emissão do seu número de registo.
Depois de vários anos a acompanhar proprietários por toda a borboleta guadalupense, vejo repetirem-se os mesmos esquecimentos. Aqui está o guia concreto para declarar o seu alojamento dentro das regras.
Porque é obrigatório declarar o seu alojamento turístico mobiliado
Um alojamento turístico mobiliado (meublé de tourisme) é uma habitação mobilada alugada a uma clientela de passagem que nela não fixa residência, para estadias por dia, semana ou mês. Quer alugue no Airbnb, no Booking, no Abritel ou diretamente, o estatuto é o mesmo.
Sendo a Guadalupe um departamento e região ultramarina francês (DROM), o direito nacional aplica-se plenamente, em particular o Código do Turismo. Na prática, todo o aluguer de um alojamento turístico mobiliado deve ser declarado na câmara. Esta obrigação visa três objetivos:
- permitir ao município cobrar a taxa turística;
- regular a oferta nos municípios balneares sob pressão (Sainte-Anne, Le Gosier, Saint-François);
- garantir ao viajante que o alojamento está identificado e é legal.
Não declarar é expor-se a sanções e fragilizar toda a sua atividade. É também, para o viajante, um sinal de seriedade.
Declaração simples ou mudança de uso: não confunda
Muitos proprietários confundem dois procedimentos distintos:
- A declaração de alojamento turístico mobiliado (CERFA 14004): a base, obrigatória assim que aluga à diária, salvo no caso de uma residência principal alugada menos de 120 dias por ano sem registo necessário.
- A mudança de uso: transforma um espaço habitacional num espaço comercial de curta duração e só diz respeito aos municípios densos que a instituíram por deliberação (sobretudo Pointe-à-Pitre e Le Gosier).
Para uma villa isolada em Deshaies ou Bouillante, em geral não se aplica; para um apartamento em propriedade horizontal em zona urbana, confirme junto da câmara. É aí que se escondem as surpresas.

O procedimento passo a passo para declarar na câmara
Eis o desenrolar concreto da declaração de alojamento turístico mobiliado em Guadalupe, em quatro passos válidos quase em todo o lado.
Passo 1: identificar o procedimento do seu município
Primeiro reflexo: ligar para o serviço de urbanismo da sua câmara (indicativo +590) ou consultar o seu site, para esclarecer dois pontos:
- É preciso entregar um CERFA em papel ou recorrer a um serviço online?
- O meu município exige um número de registo e/ou uma mudança de uso?
As respostas variam de um município para outro. A partir da França continental, tenha em conta a diferença horária (-5h no inverno, -6h no verão) e ligue de manhã, hora de Guadalupe.
Passo 2: preencher o formulário CERFA 14004
O CERFA 14004 é o documento nacional de declaração de um alojamento turístico mobiliado. Nele indica:
- a sua identidade e os seus contactos enquanto locador;
- a morada exata do alojamento;
- o número de divisões, de camas e a capacidade de acolhimento;
- os períodos de aluguer previstos ao longo do ano.
Descarregue-o em service-public.fr ou levante-o ao balcão, e preencha-o de forma legível: uma capacidade incorreta falseia o cálculo da taxa turística.
Passo 3: entregar a declaração
Dois canais consoante o seu município:
- Online, através do serviço digital que algumas câmaras criaram (muitas vezes associado à emissão imediata do número).
- Na câmara, entregando o CERFA ao balcão ou por correio registado com aviso de receção, a conservar como prova.
O procedimento é gratuito: desconfie dos sites privados que cobram 20 a 50 € por uma declaração que você mesmo pode fazer.
Passo 4: afixar o seu número de registo
Nos municípios que o exigem, recebe um número de registo de Guadalupe com 13 caracteres, que deve constar de todos os seus anúncios (Airbnb, Booking, site pessoal). Sem ele, as plataformas podem retirar o seu anúncio, ou mesmo bloquear a publicação.
Que municípios exigem um número de registo em Guadalupe
Não existe uma regra única para todo o arquipélago: cada município decide por deliberação. A regulamentação do aluguer de curta duração nos departamentos ultramarinos continua a ser a do direito nacional, mas a sua aplicação local varia. Os grandes cenários observados no terreno:
- Municípios balneares muito procurados (Sainte-Anne, Saint-François, Le Gosier): forte probabilidade de registo obrigatório e de taxa turística ativa.
- Pointe-à-Pitre e a sua área urbana (polo económico, zona urbana densa): é aqui que a mudança de uso tem maior probabilidade de se aplicar, para além da declaração.
- Municípios rurais ou de Basse-Terre (Deshaies, Bouillante, Le Moule): a declaração na câmara é, na maioria das vezes, suficiente.
- Ilhas do sul (Les Saintes / Terre-de-Haut, Marie-Galante, La Désirade): caso a caso; a atratividade de Terre-de-Haut, cuja baía é classificada, impulsiona uma regulação crescente.
A regra de ouro: nunca presuma. Uma deliberação pode mudar de um ano para o outro. Confirme junto da sua câmara antes de cada época, sobretudo antes da estação seca (de dezembro a abril).
A taxa turística, a gémea da declaração
Declarar é também cobrar a taxa turística aos seus viajantes e entregá-la ao município. O seu montante, votado localmente, vai geralmente de algumas dezenas de cêntimos a 1,50 € por noite e por adulto. O Airbnb cobra-a muitas vezes automaticamente, mas numa reserva direta cabe-lhe a si faturá-la e entregá-la: mantenha um registo claro das suas dormidas.
