Você acabou de receber seus primeiros aluguéis de um estúdio em Sainte-Anne, um apartamento de um quarto em Trois-Îlets ou uma vila em frente ao Rochedo do Diamante: vale a pena ficar no micro-BIC ou migrar para o regime real? É a decisão mais rentável do seu ano como locador e, ainda assim, a mais frequentemente resolvida sem cuidado. Em matéria de micro-BIC e regime real na Martinica, a diferença de imposto entre os dois regimes não se conta em dezenas de euros, mas em milhares, todos os anos.
Como residente na ilha e gestor de mobiliados de turismo, vejo esses dois cenários passar em cada imóvel que acompanhamos. Como a Martinica é um departamento e região ultramarina francesa (DROM), a tributação do aluguel mobiliado segue ali as regras nacionais, mas o terreno local costuma inclinar a balança. Aqui está um comparativo com números, atualizado para 2026, que continua didático: somente um contador especializado validará o seu caso.
Micro-BIC e regime real: duas lógicas opostas para o mesmo aluguel
Um aluguel mobiliado de curta duração se enquadra nos Lucros Industriais e Comerciais (BIC), e não nas rendas imobiliárias. Se não for a sua profissão, você está no estatuto LMNP (Locador em Mobiliado Não Profissional), e dois regimes se oferecem a você.
O micro-BIC: um valor fixo, zero burocracia
O micro-BIC aplica um abatimento por montante fixo sobre suas receitas brutas: o fisco estima que uma porcentagem fixa cobre seus custos, sem comprovantes. Desde a reforma chamada «lei Le Meur», em vigor sobre as receitas de 2025 declaradas na primavera de 2026, o abatimento do micro-BIC para um mobiliado de turismo depende da classificação:
- Mobiliado classificado: abatimento de 50%, teto de receitas de 77 700 € por ano.
- Mobiliado não classificado (a maioria dos Airbnb sazonais da ilha): abatimento de 30%, com o teto reduzido a 15 000 €.
Você declara apenas um número, seus aluguéis recebidos, e a administração aplica o abatimento. Sem balanço, sem contabilidade.
O regime real: a precisão que apaga o imposto
No regime real em LMNP nos departamentos ultramarinos (DOM), esqueça o valor fixo: você deduz seus custos reais e, sobretudo, deprecia o imóvel e o mobiliário. A depreciação é uma despesa contábil que não sai do seu caixa, mas apaga a maior parte do lucro tributável. São dedutíveis os juros do empréstimo, o imposto predial, o seguro, a administração predial e, principalmente, a depreciação da construção (excluído o terreno, 2 a 3% ao ano) e do mobiliário (5 a 10 anos).
A contrapartida: uma contabilidade obrigatória, muitas vezes confiada a um contador especializado (250 a 600 € por ano na Martinica, dedutíveis) e uma declaração 2031 anual.

O fator decisivo: seus custos diante do abatimento
A regra cabe em uma frase. Se seus custos reais superam o abatimento por montante fixo, o regime real vence. E várias realidades martiniquenses inflam os custos reais e costumam inclinar a decisão para o regime real:
- Clima tropical: o ar-condicionado funciona quase o ano todo e a recuperação após a temporada de ciclones (junho a novembro) volta com regularidade.
- Octroi de mer: o mobiliário importado custa mais do que na França metropolitana, o que aumenta a base depreciável.
- Empréstimo em curso: os juros do empréstimo dos primeiros anos são enormes e só se deduzem no regime real.
Ao contrário, o micro-BIC mantém todo o seu sentido se você aluga sem empréstimo, com poucos custos.
Comparativo com números: três mobiliados martiniquenses realistas
Tomemos três casos críveis do mercado da ilha (números arredondados, contribuições sociais de 17,2% incluídas, faixa marginal suposta de 30%).
Caso 1 — Estúdio classificado em Sainte-Luce, sem empréstimo
- Receitas: 9 000 €/ano (sazonal, costa caribenha). Imóvel comprado à vista, custos reais modestos ≈ 3 000 €/ano. Mobiliado classificado, abatimento de 50%.
Micro-BIC: base tributável = 4 500 €. Regime real: 9 000 − 3 000 = 6 000 € antes da depreciação completa; mesmo otimizado, você fica perto do micro-BIC, que vence pela simplicidade. Veredito: micro-BIC.
Caso 2 — Apartamento de um quarto a crédito em Sainte-Anne, a 15 min de Les Salines
- Receitas: 16 000 €/ano (sete semanas cheias na alta temporada da Quaresma a 110-130 € a diária). Custos reais: juros do empréstimo 5 200 €, imposto predial e CFE 1 100 €, seguro e administração predial 1 800 €, depreciação da construção + mobiliário ≈ 6 500 €. Total ≈ 14 600 €/ano. Mobiliado classificado, abatimento de 50%.
Micro-BIC: base tributável = 8 000 € → imposto + contribuições sociais ≈ 3 776 €. Regime real: 16 000 − 14 600 = 1 400 € de lucro → ≈ 661 €. Economia no regime real: mais de 3 100 € por ano. Veredito: regime real.
Caso 3 — Vila não classificada em Le François, perto dos bancos de areia branca
- Receitas: 24 000 €/ano (forte demanda por grandes aluguéis na zona do Atlântico sul). Mobiliado não classificado: teto do micro-BIC de 15 000 € ultrapassado.
Acima de 15 000 € em um mobiliado não classificado, o micro-BIC deixa de estar disponível: o regime real se impõe. Com a limpeza, a administração predial e a depreciação, o lucro tributável costuma cair perto de zero nos primeiros anos. Veredito: regime real (imposto pelos tetos).
