Existe na Martinica um lugar onde se rema meia hora sobre uma lagoa cor de piscina para desembarcar entre as últimas iguanas endêmicas da ilha. Não num parque de animais: em plena natureza, num ilhéu privado pousado no meio da baía atlântica de Le Robert. O passeio até o Îlet Chancel e suas iguanas continua surpreendentemente discreto, ofuscado pelas praias do Sul, embora marque de forma duradoura os viajantes que hospedamos.
Neste guia, levo você a fazê-lo como o preparo para os meus hóspedes: no horário certo, pelo preço certo, com o comportamento certo. Porque aqui a maneira de visitar conta tanto quanto a visita.
Por que o Îlet Chancel e não outro ilhéu de Le Robert
Os ilhéus de Le Robert formam um colar de meia dúzia de ilhotas pousadas numa laguna fechada pela barreira de coral (Madame, Petit Vincent, de la Grotte, aux Chiens…), dominado pelo Îlet Chancel. Ele se destaca por três razões:
- O seu tamanho. Com cerca de 70 hectares, é o maior ilhéu de toda a Martinica: aqui se caminha de verdade, com trilhas e mirantes como recompensa.
- As suas iguanas. Abriga a principal colônia de iguanas das Pequenas Antilhas (Iguana delicatissima) da ilha, uma espécie que não se cruza em nenhum outro lugar da França.
- A sua história. Visitam-se as ruínas da olaria, uma antiga fábrica colonial de tijolos e cerâmica, testemunha esquecida da atividade da baía.
Estamos na costa atlântica, a cerca de trinta minutos de Fort-de-France e a 40 ou 45 minutos do aeroporto Aimé Césaire (Le Lamentin). Para quem fica no Sul balneário (Sainte-Anne, Le Diamant, Les Trois-Îlets), é a ocasião de passar para uma Martinica mais verde, longe da areia branca de Les Salines.

A iguana das Pequenas Antilhas, estrela frágil de Chancel
Não se vem a Chancel para «ver lagartos»: observa-se uma espécie ameaçada num de seus últimos redutos. A iguana das Pequenas Antilhas está classificada como em perigo na lista vermelha mundial, e a colônia de Chancel é acompanhada de perto pelos naturalistas.
Reconhecê-la (e não confundi-la)
No local, duas silhuetas muito parecidas podem se cruzar, e saber distingui-las é todo o desafio da conservação:
- A iguana das Pequenas Antilhas (Iguana delicatissima): corpo cinza a verde escuro, sem listras na cauda, escamas claras nas bochechas. É a espécie endêmica a proteger.
- A iguana comum (Iguana iguana): cauda nitidamente anelada de preto e uma grande escama sob o tímpano. É a espécie introduzida e invasora, que ameaça a primeira por hibridação.
Chancel manteve-se durante muito tempo livre da iguana comum, o que faz dele um santuário precioso. As ameaças que persistem são a hibridação, os predadores introduzidos (ratos, gatos) e a perturbação humana.
Onde e quando observá-las
As iguanas são heliotérmicas: precisam do sol para subir de temperatura. De manhã, encontram-se imóveis sobre os muros de tijolo aquecidos das ruínas, sobre as rochas ou nas amendoeiras-da-praia. Sob uma chuvarada ou com vento fresco forte, escondem-se: mais uma razão para mirar uma manhã ensolarada.
Ir de caiaque a partir de Le Robert: a minha opção preferida
A Chancel chega-se unicamente por mar, a partir da vila de Le Robert ou da próxima Pointe Savane, e a forma que melhor combina com o espírito do lugar é o caiaque. A laguna de Le Robert é fechada pelo recife: a água é rasa, clara e quase sempre calma. Rema-se sobre as pradarias marinhas, às vezes avista-se uma raia, e aproxima-se do ilhéu sem motor nem ruído. O caiaque em Le Robert está ao alcance de qualquer pessoa em boa condição física, mesmo sem experiência, desde que se escolha o dia certo.
- Duração da travessia: 20 a 30 minutos conforme o vento e o seu ritmo.
- Passeio total: 2h30 a 3h, visita ao ilhéu incluída.
- Nível: iniciantes aceitos com mar calmo; desaconselhado aos não iniciados nos dias de forte vento alísio.
- Tarifa indicativa: 25 a 40 € por pessoa em passeio guiado de meio dia; 15 a 20 € por hora em aluguel simples.
O meu conselho de local: parta cedo, entre as 8h e as 9h30. A luz é bonita, as iguanas estão ativas e, como o alísio de leste reforça à tarde, o regresso com o vento a favor é bem mais agradável. Na maré baixa, alguns baixios roçam a superfície: desce-se para empurrar o caiaque alguns metros, nada grave, mas é bom saber para não se preocupar.
Preferir o barco ou a lancha: a outra fórmula
Nem todo mundo tem vontade de remar, e está ótimo. Vários operadores de Le Robert oferecem passeios de barco, às vezes com fundo de vidro, que deixam em Chancel e seguem com um banho nos fonds blancs — esses bancos de areia em pleno mar onde a água chega à cintura. Conte 35 a 55 € por pessoa, muitas vezes em fórmula ilhéu + fonds blancs + ti-punch a bordo: o ideal para famílias com crianças pequenas, grupos ou os menos esportistas.
Em resumo: o caiaque é mais imersivo, esportivo e silencioso, mais barato em aluguel simples, mas depende do tempo; o barco é mais confortável e acessível a todos, ideal em combinação com os fonds blancs, mas um pouco mais caro. Nos dois casos, escolha um operador sério quanto à proteção do ilhéu: um bom guia vai orientá-lo antes de desembarcar.
No ilhéu: ruínas da olaria e volta à ilha
Uma vez em terra, reserve 1h a 1h30 para explorar. Uma trilha leva às ruínas da olaria, essa antiga fábrica de tijolos onde outrora se fabricavam telhas, tijolos e cerâmica a partir da argila local. Muros desabados, um forno tomado pelas raízes, tijolos avermelhados contra o verde da vegetação: o ambiente é magnífico, e é ali, sobre esses velhos muros mornos, que as iguanas gostam de se postar. A volta oferece ainda belos mirantes sobre a baía e os outros ilhéus. Tenha em mente que uma parte de Chancel é privada: fique nos caminhos e deixe o lugar como o encontrou.
