A partir de Fort-de-France ou Pointe-a-Pitre, a Guiana Francesa está a apenas uma hora de voo. No entanto, poucos antilhanos dão o passo. É uma pena: entre dois feriados ou num fim de semana prolongado, este recanto da Amazónia francesa descobre-se muito bem em 72 horas. Florestas densas, foguetes Ariane, antigos presídios, mercado crioulo e canoas no rio: a mudança de cenário é total, sem abandonar o euro nem o francês. Aqui está um roteiro intensivo, testado no terreno, para otimizar uma escapada em torno de Caiena e Kourou.
Por que a Guiana Francesa se presta a um formato de 3 dias
A Guiana Francesa é um departamento e região ultramarina (DROM), tal como a Martinica e Guadalupe. Paga-se em euros, fala-se francês (além do crioulo guianense, do bushinengue e de várias línguas ameríndias) e o indicativo telefónico é o +594. Para um antilhano, nenhuma formalidade de câmbio nem de roaming: o seu plano da França continental funciona.
A diferença horária é mínima: a Guiana Francesa está a -5h em relação a Paris no inverno e -6h no verão, ou seja, uma hora a menos do que as Antilhas conforme a época. Na prática, vindo de Fort-de-France ou Pointe-a-Pitre, chega ao aeroporto Felix-Eboue em Matoury sem jet lag. O território tem cerca de 290.000 habitantes, concentrados no litoral entre Caiena, Remire-Montjoly, Matoury, Macouria e Kourou. É precisamente essa faixa costeira, densa em locais, que torna a escapada expressa possível.
A melhor época e as formalidades
A estação seca vai de meados de julho a meados de novembro: é a janela ideal para conduzir, caminhar e navegar sem sofrer com as grandes chuvas. O resto do ano continua praticável, mas conte com flexibilidade.
Um ponto a não descurar: a vacinação contra a febre amarela é obrigatória para entrar na Guiana Francesa. Faça-a num centro autorizado pelo menos dez dias antes da partida e guarde o certificado internacional. Pense também no repelente de mosquitos, indispensável a partir do anoitecer.
Último reflexo: reserve um carro de aluguer. Não existe uma rede de transportes públicos fiável para um visitante com pressa, e todos os locais deste roteiro se ligam de carro. Conte com 40 a 60 euros por dia conforme a estação.

Dia 1: Caiena, a alma crioula
Comece pela capital para se aclimatar. Deixe as malas em Caiena ou no município vizinho de Remire-Montjoly, mais calmo e perto das praias.
- O mercado de Caiena (quarta, sexta e sábado de manhã): é o coração pulsante da cidade. Sopa chinesa ao pequeno-almoço, caldo de awara, especiarias, frutas amazónicas, artesanato hmong e ameríndio. Chegue antes das 9h para o ambiente.
- A praça dos Palmistes e as suas palmeiras reais, ladeada de casas crioulas coloridas. Perfeita para um café à sombra.
- O centro histórico: rua Lallouette, praça dos Amandiers, forte Ceperou para a vista sobre a baía.
- Fim de dia em Remire-Montjoly: a praia de Montjoly estende-se por vários quilómetros. Na época, observa-se por vezes a desova das tartarugas marinhas.
Para o jantar, prove um fricassé de caça ou um peixe local acompanhado de couac (sêmola de mandioca). Caiena saboreia-se sem pressa: este primeiro dia monta o cenário antes das grandes excursões.
Dica logística
Encha o depósito de combustível e faça as compras de água na primeira noite. Nos dias seguintes partirá cedo para Kourou ou para o rio, e as bombas de combustível nem sempre estão no caminho.
Dia 2: Kourou e as Ilhas da Salvação
Rumo a oeste. Kourou fica a cerca de 60 km de Caiena, ou seja, uma hora de estrada pela RN1. É o coração espacial da Europa.
O Centro Espacial Guianense
A visita ao Centro Espacial Guianense (CSG) é gratuita, mediante reserva prévia e apresentação de um documento de identidade. Durante duas a três horas, de autocarro, descobre os locais de lançamento, incluindo as plataformas do Ariane 6 e do Vega. Se a sua escapada calhar num dia de lançamento do Ariane 6 ou Vega, viva a descolagem: o espetáculo é inesquecível e as zonas de observação públicas são gratuitas. Verifique o calendário de lançamentos com antecedência, pois condiciona fortemente o programa.
O Museu do Espaço, contíguo, completa muito bem a visita se tiver uma manhã.
As Ilhas da Salvação
À tarde (ou o dia inteiro se puder), embarque rumo às Ilhas da Salvação a partir de Kourou. A travessia dura cerca de uma hora em catamarã. Este arquipélago - Ilha Royale, Ilha Saint-Joseph e a famosa Ilha do Diabo - albergava o antigo presídio onde esteve detido o capitão Dreyfus. Hoje é um cenário de coqueiros, ruínas tomadas pela selva, macacos e cutias. Conte com 50 a 70 euros a travessia de ida e volta. Meio dia chega para a Ilha Royale; um dia inteiro permite acrescentar Saint-Joseph.
Dica de um local: reserve o ferry assim que comprar o bilhete de avião na época alta. Os lugares esgotam-se depressa, sobretudo em torno dos fins de semana de lançamento.
