Na Guiana Francesa, dezembro não se parece com nenhum outro mês do ano. Nada de neve nem de mercados de Natal aconchegados: aqui, as festas de fim de ano vivem-se a 30 °C, de janelas abertas, ao ritmo dos cantos Nwel que ressoam de uma casa para a outra. E no coração desse fervor, uma bebida reina em todas as mesas: o chodo, esse ponche de ovos crioulo e cremoso que se serve morno aos convidados. Se planeia uma estadia no único departamento francês da América do Sul entre o fim de novembro e o início de janeiro, chegará em plena temporada de doçuras. Eis, vivido por dentro, o que marca o ritmo de um dezembro guianense.
O chodo, estrela das festas guianenses
O chodo (por vezes escrito «chaudeau») é o equivalente local do ponche de ovos, mas com uma assinatura inconfundivelmente crioula. Prepara-se à base de leite condensado, gemas de ovo, noz-moscada, canela, raspa de lima e, muitas vezes, uma boa dose de rum agrícola. Tudo é aquecido lentamente, sem nunca ferver, até obter uma textura aveludada e envolvente.
Porque é que o chodo está por toda a parte em dezembro
Logo nos primeiros ensaios de cânticos de Natal, no fim de novembro, o chodo faz a sua aparição. É a bebida que se oferece aos cantores que vêm animar os serões, aos vizinhos de passagem, à família reunida. Servido morno em copinhos, encarna a hospitalidade guianense. Existe uma versão sem álcool para as crianças: basta substituir o rum por um pouco mais de baunilha e noz-moscada.
O lanche, versão caseira
Se ficar numa casa de família ou num alojamento independente, atreva-se: o chodo prepara-se em 20 minutos. Eis as proporções para 4 copos:
- 1 lata de leite condensado (cerca de 400 g)
- 3 gemas de ovo
- 1 raspa de lima
- 1 pitada de noz-moscada ralada e de canela
- 1 vagem de baunilha aberta
- 2 colheres de sopa de rum agrícola (facultativo)
Bata as gemas, junte o leite e os aromas e aqueça em lume muito brando, mexendo sem parar. Sirva morno. Conte com cerca de 3 a 5 € de ingredientes no mercado de Caiena.

Os cantos Nwel, a alma de dezembro
É impossível falar das festas guianenses sem evocar os chanté Nwel. Esta tradição, partilhada com as Antilhas, consiste em reunir famílias, vizinhos ou colegas para entoar em coro cânticos crioulos, acompanhados por tambor, chacha (maracas) e, por vezes, acordeão.
Como decorre um serão chanté Nwel
Os serões organizam-se ao longo de todo o dezembro, muitas vezes ao fim de semana. Cantam-se os clássicos conhecidos de todos, encadeiam-se os refrões durante horas, e entre um canto e outro partilham-se o chodo, empadões salgados e doces. O ambiente é caloroso, intergeracional, e o acolhimento aos visitantes é sincero.
Algumas referências para aproveitar:
- Onde: nos municípios de Caiena, Rémire-Montjoly, Matoury e Kourou, as associações culturais e as paróquias organizam serões abertos.
- Quando: durante todo o mês de dezembro, com intensidade máxima nas duas últimas semanas.
- Quanto: a maioria dos serões de bairro é gratuita ou de contribuição livre; alguns concertos em sala rondam os 10 a 20 €.
Sabia que
A Guiana Francesa, departamento ultramarino francês de cerca de 290 000 habitantes, é multilíngue: fala-se francês, crioulo guianense, línguas bushinengue e ameríndias. Os cantos Nwel misturam muitas vezes estas influências, o que dá a dezembro um sabor único, a meio caminho entre a América do Sul e as Caraíbas.
Os doces que acompanham a temporada
O chodo nunca está sozinho. A mesa de dezembro transborda de especialidades doces e salgadas que se degustam entre um canto e outro ou na ceia de Natal.
O empadão crioulo, imprescindível do Natal
Estrela absoluta da ceia de Natal, o empadão crioulo en croûte (de carne de porco ou de frango temperada, passas, azeitonas) degusta-se morno. Cada família tem a sua receita. Encontra-se no mercado de Caiena a partir de meados de dezembro, em torno dos 3 a 6 € a fatia.
O xarope e os doces locais
No lado doce encontramos:
- As compotas de frutas tropicais (goiaba, maracujá, cajá-manga).
- O bolo de batata-doce ou o manjar branco de coco, sobremesas cremosas à base de coco.
- Os doces de cacau: em Cacao, aldeia da comunidade hmong a uma hora de Caiena, o mercado dominical transborda de doces e sopas asiáticas, uma mistura de culturas tipicamente guianense.
O bolo-rei, versão crioula
Passada a ceia de Natal, a Epifania prolonga a festa. Na Guiana Francesa, o bolo-rei convive com versões abriochadas crioulas perfumadas com rum e raspa de citrino. As padarias de Caiena, Matoury e Kourou oferecem-no durante todo o mês de janeiro, geralmente entre 12 e 25 € consoante o tamanho. Uma bela ocasião para prolongar o espírito festivo até ao coração do inverno austral.
