Ao largo de Kourou, as ilhas da Salvação formam um dos locais mais emblemáticos da Guiana: um pequeno arquipélago de três ilhas pousado sobre o Atlântico, ao mesmo tempo lugar de memória e refúgio de natureza. Aqui, os vestígios do presídio mais célebre da França misturam-se aos coqueiros, às palmeiras-reais e a uma fauna surpreendentemente próxima. Vem-se pela história comovente de Dreyfus e dos forçados e parte-se marcado pela atmosfera única destes rochedos batidos pelas ondas, a apenas uma hora de barco do continente.
Quer esteja a preparar um dia de excursão ou uma noite no local para aproveitar a calma depois de os barcos partirem, este guia dá-lhe tudo: as três ilhas a conhecer, como fazer a travessia, o que ver, a fauna a observar, os conselhos para o banho e a organização prática a partir do seu alojamento guianense.
Quais são as três ilhas da Salvação?
O arquipélago, situado a cerca de 14 km da costa em frente a Kourou, deve o seu nome aos missionários que ali se refugiaram no século XVIII para escapar às febres do continente. É composto por três ilhas bem distintas:
- A île Royale — a maior e a mais visitada. É onde se desembarca, onde se encontra o antigo bairro da administração penitenciária, a igreja, o hospital, o farol, uma pousada e belos trilhos sombreados que dão a volta à ilha em menos de duas horas.
- A île Saint-Joseph — mais selvagem e mais comovente, acessível por um curto trajeto de barco-lançadeira a partir de Royale. É aqui que se encontravam as temíveis celas de reclusão solitária, hoje invadidas pela vegetação.
- A île du Diable — a menor e a mais carregada de lenda. O seu acesso é estritamente proibido: correntes violentas, ondulação e ausência de cais de desembarque seguro tornam impossível a abordagem. Foi ali que esteve preso o capitão Alfred Dreyfus entre 1895 e 1899. Observa-se a partir da ponta norte da île Royale, da qual está separada por um canal estreito.

Um mergulho na história do presídio
O primeiro presídio guianense foi oficialmente criado em 1852, sob o Segundo Império. Até ao encerramento progressivo do sistema penitenciário em 1946 (e o repatriamento dos últimos forçados no final da década de 1940), dezenas de milhares de condenados foram ali deportados a partir da metrópole. As ilhas serviam sobretudo de local de isolamento e de quarentena, mas também de prisão para os detidos considerados perigosos ou políticos.
Ao percorrer a île Royale, cruza-se com o antigo hospital, o refeitório dos guardas, o cemitério das crianças e das famílias dos vigilantes e a famosa «casa do guarda-chefe». Em Saint-Joseph, as celas de reclusão contam uma disciplina implacável, feita de silêncio e de isolamento. Foi esta história que inspirou o célebre Papillon de Henri Charrière.
A visita é, portanto, antes de mais um lugar de memória: dedique tempo a ler os painéis, a imaginar o quotidiano dos prisioneiros e a avaliar o que representava o encarceramento no fim do mundo. Para aprofundar o contexto, leia o nosso artigo sobre o presídio de Cayenne e a île du Diable.
Como chegar às ilhas da Salvação?
A travessia faz-se em catamarã ou veleiro a partir da plage des Roches ou do pontão de Kourou, em cerca de uma hora consoante o barco e o estado do mar. Várias empresas propõem excursões de um dia, geralmente com partida de manhã e regresso ao fim da tarde.
Apenas a île Royale e a île Saint-Joseph podem ser visitadas. Alguns barcos aproximam-se da île du Diable para permitir fotografá-la e avistar a pequena cabana de Dreyfus, sem nunca ali desembarcar.
Conselhos para a travessia
- Reserve com antecedência, sobretudo na alta temporada (julho-agosto, férias escolares) e durante os lançamentos espaciais: Kourou enche-se então muito depressa e os barcos esgotam.
- O mar pode estar agitado: se for sensível ao enjoo, leve um comprimido adequado e posicione-se ao centro do barco.
- Para ligar o seu alojamento ao pontão sem restrições de horários, um aluguer de carro é a opção mais flexível, já que a oferta de transportes públicos é limitada na Guiana.
Quanto custa a travessia?
Os preços variam consoante a empresa e a fórmula. A título indicativo e intemporal (verifique sempre no momento da reserva):
- Excursão de um dia (ida e volta): conte com um intervalo de cerca de 40 a 60 € por adulto, muitas vezes menos para as crianças.
- Fórmula de dois dias com noite no local: geralmente um pouco mais elevada, à volta de 60 a 80 € a travessia, alojamento e refeições à parte.
Algumas fórmulas incluem um lanche ou um almoço na pousada; informe-se no momento da reserva. Lembre-se de levar dinheiro em numerário, pois os pagamentos por cartão não estão garantidos nas ilhas.
O que ver e o que fazer no local?
Depois de desembarcar na île Royale, várias experiências esperam por si:
- A volta à ilha a pé pelo trilho litoral, que oferece belas vistas sobre o oceano, a île du Diable e a île Saint-Joseph.
- Os edifícios do presídio: igreja decorada com frescos pintados por um forçado, antigo hospital, farol e vestígios diversos.
- A observação da île du Diable a partir da ponta norte, onde o canal se estreita.
O barco-lançadeira entre ilhas (quando está em funcionamento, consoante o mar e a empresa) leva-o até Saint-Joseph, mais selvagem, cujas celas invadidas pelas raízes compõem um cenário impressionante. Conte com uma boa meia-jornada para dar a volta às duas ilhas sem pressa.
